quarta-feira, 1 de maio de 2019

#tbs96_Como o criacionismo versus a evolução afeta como uma pessoa vê o mundo?"

A principal diferença entre o criacionismo e a evolução se resume a nossa certeza sobre tudo o que pensamos que sabemos. Pense nisso: se nossos cinco sentidos e nossos cérebros são meramente o produto de uma evolução aleatória e sem propósito, como podemos ter certeza de que estão nos fornecendo informações confiáveis? O que o meu olho e o cérebro percebem como "vermelho" pode ser percebido pelo seu olho e cérebro como "azul", mas você o chama de "vermelho" porque é o que aprendeu. (As cores em si não mudarão, uma vez que consistem de certas frequências inalteráveis do espectro eletromagnético). Não temos nenhuma maneira segura de saber se estamos falando sobre a mesma coisa.

Ou suponha que você viu uma pedra que parecia ter a seguinte mensagem esculpida: "Chicago: 50 milhas". Também suponha agora que você acredite que essas marcações realmente são nada mais que o resultado de uma erosão aleatória do vento e da chuva que apenas aparentam escrever esta mensagem. Você poderia ter alguma confiança real de que Chicago fosse apenas a 50 milhas de distância?

Entretanto, e se você soubesse que todo conjunto normal de olhos e cérebros é projetado para perceber uma certa frequência do espectro eletromagnético como "vermelho"? Então você pode ter confiança em saber que o que eu vejo como vermelho também é o que você vê como vermelho. E se você soubesse que um homem tinha medido cuidadosamente a distância de 50 milhas de Chicago e depois colocou um marcador lá para indicar isso? Então você pode ter confiança de que esse marcador esteja, de fato, fornecendo informações precisas.

Outra diferença em como o criacionismo versus a evolução afeta a visão de uma pessoa sobre o mundo está no domínio da moralidade. Se somos meramente os produtos da evolução aleatória e sem propósito, então o que, precisamente, os termos "bem" e "mal" significam? "Bem" em comparação com o quê? "Mal" em comparação com o quê? Na verdade, sem uma vara de medição (por exemplo, a natureza de Deus), não temos base para dizer que algo é bom ou malvado. Tudo passa a ser apenas uma opinião, o que realmente não tem peso nenhum em julgar como eu ajo ou como julgo os atos dos outros. Madre Teresa e Stalin simplesmente fizeram diferentes escolhas em tal mundo. Não há resposta para a pergunta: "Quem diz?" quando se trata de determinar o certo e o errado. E embora os ateus e os evolucionistas certamente possam viver vidas morais (se fossem fiéis a suas crenças, não teriam nenhum motivo para viverem assim), eles realmente não têm qualquer base para julgar as ações daqueles que determinaram como tendo feito algo "errado".

No entanto, se existe um Deus que nos criou à Sua imagem, então não somos criados apenas com um sentido do que é certo ou errado, mas também temos uma resposta para "quem diz?". O bem é o que combina com a natureza de Deus, e o mal é qualquer coisa que não.

Gotq

#tbs95_"Deve um cristão estudar filosofia?"

 O estudo da filosofia se trata de usar o argumento racional e pensamento crítico para analisar a maneira como os seres humanos pensam, conhecem e percebem o mundo que os rodeia — tanto o mundo físico como o mundo abstrato das ideias. Perguntas como "o que é real?" e "a verdade pode ser conhecida?" e "o que é beleza?" são questões filosóficas. Para os gregos, a filosofia—philosophia—era "amor à sabedoria". Não há nada de errado quando um crente em Jesus Cristo ama a sabedoria (Provérbios 4:6; 7:4), e não há nada de errado com um cristão que estuda filosofia. O livro de Eclesiastes é muito filosófico em como lida com várias filosofias mundanas diferentes antes de concluir que uma filosofia que teme e obedece a Deus é a melhor (Eclesiastes 12:13).

Um cristão acredita que todas as questões necessárias relativas à vida podem ser respondidas pela Bíblia. No entanto, a filosofia é um campo fascinante de estudo acadêmico e, se a mente de um crente se inclina em sua direção, o estudo da filosofia pode ser esclarecedor e benéfico em como se lida com o mundo. A compreensão das várias filosofias dos homens é uma ferramenta valiosa no evangelismo. Paulo pôde envolver os filósofos em Areópago devido à sua familiaridade com as escrituras gregas (Atos 17:28), e ele citou um filósofo de Creta como ilustração em Tito 1:12.

A fé é muitas vezes vista como uma procura "não intelectual". Ela é vista como algo compreendido com o espírito e o coração e, portanto, não precisa fazer sentido para a mente racional. Essa ideia tem existido desde os tempos antigos. A cultura grega, o berço da filosofia, não conseguia entender a mensagem cristã, que parecia irracional para eles. A pregação da cruz era uma loucura para os gregos de acordo com 1 Coríntios 1:23. Paulo aqui intima as limitações da filosofia humana. A filosofia do homem nunca pode chegar à verdade de Deus por conta própria.

A sabedoria de Deus é revelada ao homem quando Deus lhe dá a mente de Cristo. Sem a revelação de Deus, o homem em seu estado natural não pode entender as coisas do Espírito de Deus (1 Coríntios 2:14-16). A sabedoria não vem da mente natural e racional porque a mente do homem e sua razão são caídas; isto é, são afetadas pelo pecado. A sabedoria é uma coisa bela, descrita poeticamente como o trabalhador ao lado de Deus durante a criação do mundo (Provérbios 8:12-31). Para realmente poder pensar de forma racional, uma pessoa deve ser introduzida à fonte absoluta de sabedoria, que é o próprio Deus. A fé em Deus não é loucura — embora seja percebida dessa maneira por aqueles que confiam unicamente na razão – ao invés, é o que informa a razão. "Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem" (Hebreus 11:3). Através da fé, temos acesso à verdadeira sabedoria (Provérbios 3:5-6).

Por um lado, o estudo da filosofia é totalmente inofensivo – é simplesmente uma maneira de entender os conceitos humanos e aprender a pensar criticamente sobre o mundo. Por outro lado, se uma pessoa não aceita a natureza caída do homem como revelada nas Escrituras, a filosofia pode se transformar na afirmação da razão do homem como a fonte absoluta de sabedoria. Quando as pessoas confiam em suas próprias razões para levá-las à verdade, elas se desviam. Por esta razão, o estudo da filosofia está repleto de armadilhas. O raciocínio dos homens não salvos preenche os livros didáticos, e o cristão deve estar atento. No entanto, a filosofia como campo de estudo é simplesmente uma ferramenta — pode ser usada para construir argumentos lindos e esclarecedores com base no que Deus revela ser verdade, ou pode ser usada para desconstruir e confundir uma mente caída que confia em si mesma em vez de no Criador.

Gotq

#tbs94_"Como deve um cristão enxergar a lógica?"

A lógica é a ciência de derivar a verdade através da análise direta (dedutivamente) ou indireta (indutivamente) de fatos. A lógica toma pressuposições, analisa as relações, as compara com outros fatores conhecidos e chega a uma conclusão que identifique um fato anteriormente desconhecido. A lógica é matemática com ideias em vez de números. É uma maneira de identificar as relações entre essas ideias.

A lógica parece ser uma das leis naturais que Deus ordenou na criação do universo. Então, Deus criou a humanidade com uma mente e a capacidade de raciocinar. Sendo uma criação de Deus, a lógica é uma coisa boa que, quando usada corretamente, pode nos apontar para Deus. Infelizmente, é fácil usar a lógica incorretamente.

A ciência da lógica lida com as fórmulas relacionais das ideias. Como números em matemática, as ideias podem ser conectadas a fórmulas que mostram suas relações com outras ideias. É benéfico entender os conceitos básicos dessas fórmulas. Os argumentos modernos são muitas vezes saturados de emoção, o que pode bloquear a conversa e impedir uma resolução útil. A paixão pode impedir o caminho da verdade. Muitas vezes, a verdade está escondida pelo que é conhecido como falácia -- argumentação baseada em lógica falsa e raciocínio errôneo. A falácia é uma tática de bullying, e não presta para uma discussão lucrativa.

A lógica em um sentido prático inclui tanto as fórmulas quanto os fatos. As fórmulas fornecem os relacionamentos, mas deve haver ideias básicas disponíveis para as fórmulas analisarem. Embora o relativismo corroa aos poucos até mesmo os pressupostos mais básicos, a maioria das pessoas ainda confia em evidências empíricas — dados acumulados por seus sentidos. A maioria das pessoas tem confiança em fazer declarações como "Eu existo" e "a mesa existe". A lógica toma esses dados e ainda segue mais adiante. "Qualquer coisa que teve um começo deve ter sido feita por outra coisa" é uma declaração logicamente deduzida. Ainda mais análises levam a verdades mais complexas, como "Deus existe".

Infelizmente, muitos debatedores inadvertidamente caem em falácia porque não começam no início. Ou seja, eles permitem que uma noção pré-concebida e não comprovada seja tida como fato. Os evolucionistas começam com a evolução naturalista como base para seus argumentos porque não aceitam a possibilidade de milagres. Muitas religiões rejeitam que Jesus seja o Deus-homem porque começam com o gnosticismo (o físico é perverso; o espiritual é bom). Os secularistas que insistem que a religião seja apenas uma resposta instintiva ao medo da morte começam com a suposição de que Deus não exista.

A verdade é que a maioria das pessoas não vai ser significativamente influenciada pela lógica para acreditar em algo contrário às suas convicções. Geralmente, o sentimento supera a lógica. E, embora nem Jesus nem os apóstolos fossem estranhos à lógica, ela não foi a sua principal ferramenta. Quando Pedro diz para estarmos "... sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" (1 Pedro 3:15), ele não estava se referindo a começar com o argumento ontológico para a existência de Deus. Ele estava se referindo a estarmos prontos com o relato de nosso próprio relacionamento com Deus e com a esperança que veio disso. Alguém que baseie suas crenças na emoção não poderá acompanhar uma conversa lógica. A lógica nas mãos de um apologista treinado é uma ferramenta poderosa. No entanto, igualmente convincente é a "evidência empírica" da vida cristã. Nós somos "a luz do mundo" (Mateus 5:14) — a escuridão pode não gostar da luz, mas não pode negar a sua existência. Como Paulo instruiu Tito, "... Torna-te, pessoalmente, padrão de boas obras. No ensino, mostra integridade, reverência, linguagem sadia e irrepreensível, para que o adversário seja envergonhado, não tendo indignidade nenhuma que dizer a nosso respeito" (Tito 2:7-8).

Gotq

#tbs93_"Por que tantos cristãos não têm uma cosmovisão consistentemente bíblica?"

Uma cosmovisão bíblica é a concepção total do mundo do ponto de vista bíblico. É o sistema de crença básico do cristão sobre o significado da vida, a natureza de Deus, a fonte da verdade e outros conceitos fundamentais. No entanto, a cosmovisão de muitos cristãos não é biblicamente consistente. Talvez abordem algumas questões do ponto de vista bíblico, mas não todas as questões.

Existem muitas razões possíveis pelas quais alguns cristãos não conseguem ter uma cosmovisão consistentemente bíblica:

1) Eles são ignorantes do que a Bíblia diz. Eles não conhecem a Palavra. Se alguém não sabe o que a Bíblia diz sobre a santidade da vida humana, por exemplo, será difícil que ele forme uma visão bíblica sobre o assunto. Para aqueles que são ignorantes, a educação é a resposta.

2) Eles rejeitam o que a Bíblia diz sobre certos assuntos. Se um cristão professo não acredita no que a Bíblia diz, será impossível que ele tenha uma autêntica cosmovisão bíblica. Para aqueles que são contrários, o arrependimento é a resposta.

3) Eles estão mais preocupados com o que o mundo pensa deles do que com o que Deus pensa. "Quem teme ao homem arma ciladas, mas o que confia no SENHOR está seguro" (Provérbios 29:25). Um crente que vê o mundo do ponto de vista bíblico reconhece que ele não é do mundo. Jesus disse: "Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; como, todavia, não sois do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o mundo vos odeia" (João 15:19, veja também João 17:14). Quando um crente começa a se rebaixar à maneira de pensar do mundo, ele perde o foco da perspectiva de Deus. Para aqueles que têm medo, a coragem é a resposta.

4) Eles são mornos em seu compromisso com Cristo. Como a igreja de Laodiceia, não são "nem frio nem quente" (Apocalipse 3:15), mas relutantes em defenderem Cristo. Para o morno, o compromisso é a resposta.

5) Eles são influenciados pelas mentiras do mundo. Desde o tempo de Adão e Eva, Satanás tem usado a sua capacidade de enganar e confundir (Gênesis 3:1-7, Apocalipse 12: 9). Uma ferramenta poderosa no arsenal de Satanás é a ideia de que a Bíblia é um livro de mitos, contém muitos erros e não é confiável. Satanás deseja convencer as pessoas de que a Bíblia não é mais relevante, que suas leis e princípios são obsoletos. Muitos na igreja têm sido influenciados por tal pensamento. Para os enganados, o discernimento é a resposta.

6) Eles são influenciados por suas circunstâncias e duvidam das promessas de Deus. Em Mateus 14, quando Pedro saiu do barco para andar na água, ele estava demonstrando uma cosmovisão bíblica: Jesus é a fonte de todo o poder. No entanto, quando Pedro se concentrou no mar abalado pela tempestade, a sua cosmovisão mudou: talvez as ondas sejam mais poderosas que Jesus. Para os que duvidam, a fé é a resposta. 

A fim de obtermos uma cosmovisão consistentemente bíblica, devemos nos voltar para a Bíblia e nos apegar às promessas que Deus nos fez, pois o mundo não nos oferece nada (Lucas 9:25; João 12:25; Mateus 6:19).

Gotq

terça-feira, 30 de abril de 2019

#tbs92_"Que é a verdade?"

Pergunta: "Que é a verdade?"

Resposta: Quase dois mil anos atrás, a Verdade foi levada a julgamento e condenada por pessoas que se dedicavam à mentira. De fato, a Verdade enfrentou seis julgamentos em menos de um dia, três dos quais eram religiosos, e três que eram legais. No final, poucas pessoas envolvidas nesses eventos poderiam responder à pergunta: "Que é a verdade?"

Depois de ser preso, a Verdade foi levada primeiro a um homem chamado Anás, um corrupto ex-sumo sacerdote dos judeus. Anás quebrou inúmeras leis judaicas durante o julgamento, incluindo a realização do julgamento em sua casa, tentar induzir auto-acusações contra o réu e bater no réu, o qual não havia sido condenado por nada até aquele momento. Depois de Anás, a Verdade foi levada ao reinante sumo sacerdote, Caifás, o qual era o genro de Anás. Diante de Caifás e do Sinédrio judaico, muitas testemunhas se prontificaram para testemunhar contra a Verdade, mas nada podia ser provado e nenhuma evidência de má conduta podia ser encontrada. Caifás quebrou pelo menos sete leis enquanto tentava condenar a Verdade: (1) o julgamento foi realizado em segredo; (2) foi realizado à noite, (3) envolveu suborno; (4) o réu não tinha ninguém presente para fazer uma defesa a seu favor; (5) a exigência de 2-3 testemunhas não podia ser cumprida; (6) usaram testemunho auto-incriminatório contra o réu, (7) condenou o réu à pena de morte no mesmo dia. Todas essas ações eram proibidas pela lei judaica. Independentemente disso, Caifás declarou a Verdade culpada porque a Verdade afirmou ser Deus na carne, algo que Caifás chamava de blasfêmia.

Ao amanhecer, o terceiro julgamento da Verdade ocorreu, resultando no Sinédrio judaico pronunciando que a Verdade devia morrer. No entanto, o conselho judaico não tinha o direito legal de executar a pena de morte, por isso foram obrigados a trazer a Verdade ao governador romano na época, um homem chamado Pôncio Pilatos. Pilatos foi nomeado por Tibério como o quinto prefeito da Judeia e serviu nessa capacidade entre 26-36 AD. O procurador tinha poder de vida e morte e poderia reverter sentenças capitais aprovadas pelo Sinédrio. Enquanto a Verdade estava diante de Pilatos, mais mentiras foram feitas contra Ele. Seus inimigos disseram: "Encontramos este homem pervertendo a nossa nação, vedando pagar tributo a César e afirmando ser ele o Cristo, o Rei" (Lucas 23:2). Isso foi uma mentira porque a Verdade tinha dito que todos pagassem os seus impostos (Mateus 22:21) e nunca falou de Si mesmo como um desafio para César.

Após isso, uma conversa muito interessante entre a Verdade e Pilatos ocorreu. “Tornou Pilatos a entrar no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus? Respondeu Jesus: Vem de ti mesmo esta pergunta ou to disseram outros a meu respeito? Replicou Pilatos: Porventura, sou judeu? A tua própria gente e os principais sacerdotes é que te entregaram a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui. Então, lhe disse Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu dizes que sou rei. Eu para isso nasci e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz. Perguntou-lhe Pilatos: Que é a verdade? Tendo dito isto, voltou aos judeus e lhes disse: Eu não acho nele crime algum” (João 18:33–38).

A pergunta de Pilatos: "Que é a verdade?" tem sido repercutida ao longo da história. Foi um desejo melancólico de saber o que mais ninguém podia lhe dizer, um insulto cínico ou talvez uma resposta irritada e indiferente às palavras de Jesus?

Em um mundo pós-moderno que nega que a verdade possa ser conhecida, a questão é mais importante do que nunca para responder. Que é a verdade?

Uma Proposta Definição da Verdade
Ao definir a verdade, é útil primeiramente observar o que ela não é:

• A verdade não é simplesmente qualquer coisa que funcione. Esta é a filosofia do pragmatismo - uma abordagem semelhante à de que o fim justifica o meio. Na realidade, a mentira pode até "dar certo", mas ainda é uma mentira e não a verdade. 
• A verdade não é simplesmente o que é coerente ou compreensível. Um grupo de pessoas pode se reunir e formar uma conspiração com base em um conjunto de falsidades, onde todos concordam em contar a mesma história falsa, mas isso não torna a sua apresentação verdade. 
• A verdade não é o que faz as pessoas se sentirem bem. Infelizmente, más notícias podem ser verdadeiras. 
• A verdade não é o que a maioria diz ser verdade. Cinquenta e um por cento de um grupo pode chegar a uma conclusão errada. 
• A verdade não é o que é abrangente. Uma apresentação longa e detalhada ainda pode resultar em uma falsa conclusão. 
• A verdade não é definida pela intenção. Boas intenções ainda podem estar erradas. 
• A verdade não é como nós sabemos, mas o que sabemos. 
• A verdade não é simplesmente o que se acredita. Uma mentira acreditada ainda é uma mentira. 
• A verdade não é o que se provou publicamente. Uma verdade pode ser conhecida em particular (por exemplo, a localização do tesouro enterrado).

A palavra grega para "verdade" é alētheia, que significa literalmente "des-esconder" ou "esconder nada." Ela transmite a ideia de que a verdade está sempre disponível, aberta e acessível para que todos a possam ver, sem nada sendo escondido ou obscuro A palavra hebraica para "verdade" é emeth, que significa "firmeza", "constância" e "duração". Tal definição implica uma substância eterna e algo em que se pode contar.

Do ponto de vista filosófico, há três maneiras simples de definir a verdade:

1. A verdade é o que corresponde à realidade. 
2. A verdade é o que corresponde ao seu objeto. 
3. A verdade é simplesmente dizer como realmente é.

Em primeiro lugar, a verdade corresponde à realidade ou "o que é." É real. A verdade também é de natureza correspondente. Em outras palavras, ela corresponde ao seu objeto e é conhecida pelo seu referente. Por exemplo, um professor diante de uma classe pode dizer: "A única saída desta sala é à direita." Para a classe que pode estar de frente para o professor, a porta de saída pode ser à sua esquerda, mas é absolutamente verdade que a porta, para o professor, é à direita.

A verdade também coincide com o seu objeto. Pode ser absolutamente verdade que uma determinada pessoa pode necessitar de tantos miligramas de um determinado medicamento, mas outra pessoa pode necessitar de mais ou menos do mesmo medicamento para produzir o efeito desejado. Isso não é verdade relativa, mas apenas um exemplo de como a verdade deve coincidir com o seu objeto. Seria errado (e potencialmente perigoso) que um paciente pedisse que o seu médico lhe desse uma quantidade inadequada de um determinado medicamento, ou dissesse que qualquer remédio serviria para a doença em questão.

Em suma, a verdade é simplesmente dizer como é; é a maneira como as coisas realmente são, e qualquer outro ponto de vista é errado. Um princípio fundamental da filosofia é ser capaz de discernir entre a verdade e o erro, ou como Tomás de Aquino observou: "É a tarefa do filósofo fazer distinções".

Desafios para a Verdade
As palavras de Aquino não são muito populares hoje em dia. Fazer distinções parece estar fora de moda em uma era pós-moderna do relativismo. É aceitável hoje dizer: "Isso é verdade", contanto que não seja seguido por "e, portanto, isso é falso." Isto é especialmente observável em questões de fé e religião, onde cada sistema de crenças é para ter a mesma quantidade de igualdade quando se trata da verdade.

Há uma série de filosofias e cosmovisões que desafiam o conceito de verdade, mas, quando cada uma é examinada criticamente, acaba sendo de natureza auto-destrutiva.

A filosofia do relativismo diz que toda verdade é relativa e que não existe tal coisa como verdade absoluta. Entretanto, é preciso perguntar: é a alegação de que "toda verdade é relativa" uma verdade relativa ou uma verdade absoluta? Se for uma verdade relativa, então realmente não tem nenhum sentido; como é que sabemos quando e onde se aplica? Se for uma verdade absoluta, então existe verdade absoluta. Além disso, o relativista trai a sua própria posição quando afirma que a posição do absolutista é errada - por que não podem aqueles que dizem que a verdade absoluta existe estar corretos também? Em essência, quando o relativista diz: "Não há nenhuma verdade", ele está pedindo para você não acreditar nele, e a melhor coisa a fazer é seguir o seu conselho.

Aqueles que seguem a filosofia do ceticismo simplesmente duvidam de toda a verdade. Entretanto, será que o cético é cético do ceticismo; ele duvida de sua própria afirmação sobre a verdade? Se sim, então por que prestar atenção ao ceticismo? Se não, então podemos ter certeza de pelo menos uma coisa (em outras palavras, a verdade absoluta existe) – o ceticismo, que, ironicamente, torna-se verdade absoluta nesse caso. O agnóstico diz que não se pode conhecer a verdade. No entanto, a mentalidade é auto-destrutiva porque afirma conhecer pelo menos uma verdade: que a verdade não pode ser conhecida.

Os discípulos do pós-modernismo simplesmente não afirmam nenhuma verdade em particular. O santo padroeiro do pós-modernismo, Frederick Nietzsche, descreveu a verdade assim: "Que é então a verdade? Um exército móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos ... verdades são ilusões ... moedas que perderam as suas fotos e agora importam apenas como metal, não mais como moedas." Ironicamente, embora o pós-modernista tenha moedas na mão que são agora "mero metal", ele afirma pelo menos uma verdade absoluta: a verdade de que nenhuma verdade deve ser afirmada. Como as outras cosmovisões, o pós-modernismo é auto-destrutivo e não pode resistir a sua própria afirmação.

Uma popular cosmovisão é o pluralismo, o qual diz que todas as alegações sobre a verdade são igualmente válidas. Claro que isso é impossível. Podem duas ações - uma que diz que uma mulher está grávida e outra que diz que ela não está grávida - ser ambas verdadeiras ao mesmo tempo? O pluralismo se despedaça aos pés da lei da não-contradição, que diz que algo não pode ser tanto "A" quanto "não-A" ao mesmo tempo e no mesmo sentido. Como um filósofo ironizou, quem acredita que a lei da não-contradição não é verdade (e, por padrão, o pluralismo é verdade) deve ser espancado e queimado até admitirem que ser espancado e queimado não é a mesma coisa que não ser espancado e queimado. Além disso, observe que o pluralismo afirma ser verdadeiro e que nada contra ele é falso – sendo essa uma afirmação que nega o seu próprio princípio fundacional.

O espírito por trás do pluralismo é uma atitude de braços abertos de tolerância. No entanto, o pluralismo confunde a ideia de todos têm o mesmo valor com todas as reivindicações sobre a verdade sendo igualmente válidas. Mais simplesmente, todas as pessoas podem ser iguais, mas nem todas as reivindicações sobre a verdade o são. O pluralismo não consegue entender a diferença entre opinião e verdade, uma distinção que Mortimer Adler observa: "O pluralismo é desejável e tolerável somente naquelas áreas que são questões de gosto e não em questões sobre a verdade."

A Natureza Ofensiva da Verdade
Quando o conceito da verdade é criticado, é normalmente por uma ou mais das seguintes razões:

Uma queixa comum contra alguém alegando ter a verdade absoluta em matéria de fé e religião é que tal postura é "intolerante." No entanto, a crítica não consegue entender que, por natureza, a verdade é intolerante. É um professor de matemática intolerante por manter a crença de que 2 + 2 só pode ser 4?

Uma outra objeção à verdade é que é arrogante afirmar que alguém está certo e outra pessoa está errada. No entanto, voltando ao exemplo acima com a matemática, é arrogante quando um professor de matemática insiste em apenas uma resposta certa para um problema de aritmética? Ou é arrogante quando um serralheiro afirma que apenas uma chave vai abrir uma porta trancada?

Uma terceira acusação contra os defensores da verdade absoluta em matéria de fé e religião é que tal posição exclui as pessoas, ao invés de incluí-las. No entanto, tal queixa não consegue compreender que a verdade, por natureza, exclui o seu oposto. Todos as respostas diferentes de 4 são excluídas da realidade do verdadeiro resultado de 2 + 2.

No entanto, um novo protesto contra a verdade é que é divisivo e ofensivo quando alguém reivindica ter a verdade. Em vez disso, o crítico afirma, tudo o que importa é a sinceridade. O problema com essa posição é que a verdade é imune à sinceridade, crença e desejo. Não importa o quanto se acredita sinceramente que uma chave errada vai abrir a porta; a chave ainda não vai entrar e a fechadura não será aberta. A verdade também não é afetada pela sinceridade. Alguém que pega um frasco de veneno e sinceramente acredita que é limonada ainda vai sofrer os efeitos infelizes do veneno. Finalmente, a verdade é impermeável à vontade. Uma pessoa pode desejar fortemente que seu carro não esteja sem gasolina, mas se o medidor diz que o tanque está vazio e o carro não funciona, então não há desejo no mundo vai milagrosamente fazer com que o carro continue.

Alguns admitem que a verdade absoluta existe, mas, em seguida, afirmam que tal postura é válida apenas na área da ciência e não em questões de fé e religião. Esta é uma filosofia chamada de positivismo lógico, popularizada por filósofos como David Hume e AJ Ayer. Em essência, essas pessoas afirmam que as alegações sobre a verdade devem ser (1) tautologias (por exemplo, todos os solteiros não são casados) ou empiricamente verificáveis (isto é, testável via ciência). Para o positivismo lógico, toda conversa sobre Deus é um absurdo.

Aqueles que defendem a ideia de que só a ciência pode fazer reivindicações sobre a verdade deixam de reconhecer que existem muitos campos onde a ciência é impotente. Por exemplo: 

• A ciência não pode provar as disciplinas de matemática e lógica porque as pressupõe. 
• A ciência não pode provar verdades metafísicas como a de que mentes além da minha existem. 
• A ciência é incapaz de fornecer a verdade nas áreas de moral e ética. Não se pode usar a ciência, por exemplo, para provar que os nazistas eram maus. 
• A ciência é incapaz de afirmar verdades sobre as posições estéticas como a beleza do nascer do sol. 
• Por último, quando alguém fizer a declaração "a ciência é a única fonte de verdade objetiva", ele acabou de fazer uma reivindicação filosófica que não pode ser testada pela ciência.

E há quem diga que a verdade absoluta não se aplica na área da moralidade. No entanto, a resposta à pergunta: "Será que é moral torturar e matar uma criança inocente?" é absoluta e universal: Não. Ou, para ser mais pessoal, aqueles que defendem a verdade relativa sobre a moral parecem sempre querer que seu cônjuge seja absolutamente fiel.

Porque a Verdade é Importante
Por que é tão importante entender e adotar o conceito de verdade absoluta em todas as áreas da vida (incluindo a fé e religião)? Simplesmente há consequências para estar errado. Dar a alguém a quantidade errada de um medicamento pode matá-lo; ter um gestor de investimentos tomar as decisões monetárias erradas pode empobrecer uma família; embarcar no avião errado irá levá-lo aonde você não deseja ir e lidar com um cônjuge infiel pode resultar na destruição de uma família e, potencialmente, em doença.

Como o apologista cristão Ravi Zacharias explica: "O fato é que a verdade importa - especialmente quando você é o receptor de uma mentira." E em nenhum lugar isso é mais importante do que na área da fé e da religião. A eternidade é um tempo muito longo para estar errado.

Deus e a Verdade
Durante os seis julgamentos de Jesus, o contraste entre a verdade (justiça) e mentiras (injustiça) era inconfundível. Lá estava Jesus, a Verdade, sendo julgado por aqueles cujas ações eram banhadas em mentiras. Os líderes judeus quebraram quase todas as leis destinadas a proteger o réu de condenação injusta. Eles trabalharam com fervor para encontrar qualquer testemunho que incriminasse Jesus, e na sua frustração, voltaram-se a provas falsas apresentadas por mentirosos. No entanto, nem mesmo isso pôde ajudá-los a alcançar o seu objetivo. Sendo assim, quebraram uma outra lei e obrigaram Jesus a implicar a Si mesmo.

Quando diante de Pilatos, os líderes judeus mentiram novamente. Condenaram Jesus de blasfêmia, mas já que sabiam que não seria suficiente para persuadir Pilatos a matar Jesus, eles afirmaram que Jesus era um desafio a César e estava quebrando a lei romana ao incentivar o povo a não pagar impostos. Pilatos rapidamente detectou a sua decepção superficial e nunca nem sequer abordou a acusação.

Jesus, o Justo, estava sendo julgado pelo injusto. O fato triste é que este último sempre persegue o primeiro. É por isso que Caim matou Abel. A ligação entre a verdade e a justiça e entre a falsidade e a injustiça é demonstrado por uma série de exemplos no Novo Testamento:

• Por esta razão, Deus enviará sobre eles uma influência enganadora para que acreditem no que é falso, a fim de que sejam julgados todos os que não deram crédito à verdade, mas deleitaram-se com a injustiça (2 Tessalonicenses 2:9-12, ênfase acrescentada). 
• "A ira de Deus se revela do céu contra toda impiedade e perversão dos homens que detêm a verdade pela injustiça" (Romanos 1:18, ênfase adicionada). 
• "que retribuirá a cada um segundo o seu procedimento: a vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, procuram glória, honra e incorruptibilidade; mas ira e indignação aos facciosos, que desobedecem à verdade e obedecem à injustiça" (Romanos 2:6-8, ênfase adicionada). 
• "não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade" (1 Coríntios 13:5-6 , ênfase acrescentada).

Conclusão
A pergunta que Pôncio Pilatos fez séculos atrás precisa ser reformulada a fim de ser completamente precisa. A observação do governador romano,"Que é a verdade?", ignora o fato de que muitas coisas podem ter a verdade, mas só uma coisa pode realmente ser a Verdade. A verdade deve se originar de algum lugar. A dura realidade é que Pilatos estava olhando diretamente à Origem de toda a Verdade naquela manhã mais de dois mil anos atrás. Não muito tempo antes de ser preso e levado para o governador, Jesus tinha feito a simples declaração: "Eu sou a verdade" (João 14:6) – o que foi bastante incrível. Como poderia um mero homem ser a verdade? Ele não podia ser, a menos que fosse mais que um homem, que é exatamente o que afirmava ser. O fato é que a afirmação de Jesus foi validada quando ressuscitou dos mortos (Romanos 1:4).

Há uma história sobre um homem que vivia em Paris e recebeu a visita de um estranho do interior. Querendo mostrar ao estranho a magnificência de Paris, ele levou-o a Louvre para ver a grande arte e, em seguida, a um concerto em um majestoso teatro para ouvir uma grande orquestra sinfônica. No final do dia, o estrangeiro do interior comentou que não gostou particularmente nem na arte ou da música. O seu anfitrião respondeu: "Eles não estão em julgamento, você está." Pilatos e os líderes judeus achavam que estavam julgando Cristo, quando, na realidade, eles que estavam sendo julgados. Além disso, Aquele que foi condenado vai na verdade servir como o seu Juiz um dia, como o será para todos os que detêm a verdade em injustiça.

Pilatos evidentemente nunca chegou ao conhecimento da verdade. Eusébio, o historiador e bispo de Cesareia, registra o fato de que Pilatos finalmente cometeu suicídio em algum momento durante o reinado do imperador Calígula - um final triste e um lembrete para todos que ignorar a verdade sempre leva a consequências indesejáveis.

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