terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Uma jovem singular

Uma jovem singular

Lucas 1:26-33

Zacarias e Isabel oravam por um
filho e Deus atendeu suas orações, apesar de serem velhos e terem
dúvidas se Deus responderia. Agora a visita do anjo não é a um
velho sacerdote no templo de Jerusalém, mas a uma jovem chamada
Maria.
Lucas não revela sua idade, mas
naquela época e lugar as meninas deviam ter no mínimo 12 anos para
se casarem, e os meninos 13. Maria deve ter entre 12 e 14 anos. Ela
ainda não é casada com José, apenas desposada, uma espécie de
noivado com status de casamento, porém sem relações sexuais. Maria
é a virgem.
Mas por que dizer que ela é a
virgem e não uma virgem? Porque é assim que Deus a chama na
profecia de Isaías: “Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal:
a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e o chamará
Emanuel” (Is 7:14). Setecentos anos antes Deus já tinha
escolhido o ventre no qual seu Filho assumiria a forma humana.
Ela já tinha sido mencionada na
primeira vez em que o evangelho foi proclamado no jardim do Éden.
Em Gênesis lemos que Deus avisou Satanás: “Porei inimizade entre
você e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela;
este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar” (Gn
3:15). A mulher seria Maria, e seu descendente, Jesus.
Por isso o anjo a chama de
agraciada, isto é, beneficiada com graça. Ele não a chama de
“cheia de graça”, como alguns costumam dizer, pois isto
faria dela a fonte de graça, o que obviamente ela não é.
Imagine se você fosse uma jovem de
treze anos e um homem aparecesse dentro de sua casa dizendo ser um
anjo. Como você reagiria? Ficaria perturbada, como Maria fica aqui.
Gabriel a tranquiliza explicando que ela tinha sido agraciada por
Deus. Talvez ela ficasse mais tranquila se ele não continuasse a
mensagem:
“Você ficará grávida e dará à
luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será
chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu
pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino
jamais terá fim” (Lc 1:31-33).
Como se a presença de um anjo já
não fosse demais para ela, o que ele diz é de tirar o fôlego: ela
irá engravidar, o filho terá um nome que significa “Jeová é o
Salvador”, será um grande homem e ao mesmo tempo divino, o
Filho do Altíssimo. Ele assumirá o trono de Davi e seu reino não
terá fim.
Que Deus preparou Maria para isso
não há dúvida. Que garota teria recebido tal informação sem
desmaiar ou se desesperar? Maria não duvida do anjo, mas ela tem
apenas uma pergunta, que faz nos próximos 3 minutos.
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Resposta tardia

Resposta tardia

Lucas 1:5-25

Zacarias é um dos sacerdotes que se
revezam no serviço do templo de Jerusalém. Sua posição é
privilegiada, porém, apesar de sempre ter orado por um filho, sua
esposa Isabel é estéril e eles já são velhos. Para um judeu, cujas
bênçãos incluíam saúde, filhos e prosperidade, a esterilidade era
motivo de tristeza e desonra.
Ao entrar no templo para oferecer
incenso, Zacarias não imagina a surpresa que o espera: um anjo em
pé à direita do altar de incenso. Zacarias leva o maior susto, mas
o anjo o tranquiliza. Apresenta-se como Gabriel e avisa que sua
oração foi ouvida: sua esposa dará à luz um filho que será chamado
João. Ele será grande diante do Senhor e converterá muitos dos
filhos de Israel ao Senhor seu Deus.
Se você entrasse em um lugar que
era para estar vazio, e encontrasse alguém dizendo ser um anjo e
anunciando que sua mulher idosa e estéril ficaria grávida de uma
celebridade, você acreditaria? Nem Zacarias acreditou, e por causa
de sua incredulidade ele ficará mudo até o nascimento da criança.
Ao sair do templo ele só consegue se comunicar por sinais ou
escrevendo. Mas sua incredulidade o impede de falar das grandes
coisas que Deus preparou para ele.
A incredulidade nos priva de muitos
privilégios. Durante anos Zacarias orou por aquela criança, e agora
que Deus avisa que a encomenda está a caminho, ele duvida! Faz
lembrar o caso de um grupo de lavradores que decidiram orar pedindo
chuva. Enquanto caminhavam sob um céu sem nuvens até o lugar
combinado, achavam graça da filhinha de um deles que levava um
guarda-chuva debaixo do braço. Foi a única que voltou para casa de
roupa seca.
A carta de Tiago, capítulo 5, diz:
“A oração de um justo é poderosa e eficaz. Elias era humano como
nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu
sobre a terra durante três anos e meio. Orou outra vez, e o céu
enviou chuva” (Tg 5:16-18). Elias era alguém igualzinho a você,
com defeitos, temores e inquietações. Mesmo assim ele orou e Deus
atendeu.
Sabia que você pode contar com Deus
em oração? Mas espere! Deus não é um mordomo ao seu comando. Ele
sempre responde às nossas orações, mas às vezes a resposta é
“Não!”. Outras vezes nós nem oramos e ele segue adiante com
seus planos, porque é Deus. E é isso que irá fazer nos próximos 3
minutos, enviando o mesmo anjo Gabriel a uma jovem recém-saída da
adolescência, para avisá-la de que ela ganhará um bebê. Porém a
jovem Maria é solteira e virgem.
tic-tac-tic-tac...

A inspiração divina

A inspiração divina

Lucas 1:1-4

A Bíblia não diz quem era Teófilo,
mas é fácil imaginar que pode ser qualquer um, inclusive eu e você.
O nome grego é composto por duas palavras, “Teo”, que
significa “Deus”, e “filo”, que é “amigo”. Se
você é amigo de Deus, então Teófilo é você. No livro de Atos, Lucas
continua escrevendo a Teófilo, portanto aquele livro é a
continuação deste evangelho.
A Bíblia é um conjunto de
livros, cada um trazendo o estilo característico de seu autor
humano e da inspiração divina. Deus não suprimiu as características
individuais dos instrumentos que inspirou, assim como o músico não
suprime as características do instrumento que toca — e todo músico
sabe que mesmo dois instrumentos idênticos emitem, cada um, o seu
som característico.
Como um jornalista em um trabalho
investigativo, Lucas fez uma pesquisa minuciosa, entrevistando
pessoas que conviveram com Jesus. Seu evangelho, o mais detalhado
dos quatro, foi escrito uns 30 anos após a morte e ressurreição de
Jesus, quando muitas testemunhas dos fatos ainda viviam. A hora era
perfeita para evitar a distorção causada pela tradição oral. Mas
será que isto quer dizer que o texto não é inspirado? Ao contrário,
isto mostra que Lucas não escreveu uma lenda, mas baseou-se em
fatos.
A prova da inspiração você descobre
nos detalhes impossíveis de serem conhecidos por Lucas ou seus
entrevistados. É o caso das impressões, sentimentos e eventos
reservados. Por exemplo, como Lucas iria saber que Zacarias e
Isabel “eram justos aos olhos de Deus”, se o próprio Deus não
tivesse lhe revelado esta impressão? Ou como poderia escrever da
angústia de Jesus em sua oração no Monte das Oliveiras? Ou de seu
suor, como gotas de sangue e do anjo que o confortava, se os
discípulos estavam dormindo e ninguém mais viu aquilo?
Veja que interessantes estas duas
citações de 1 Timóteo 5:18: “A Escritura diz: ‘Não amordace o
boi enquanto está debulhando o cereal’, e ‘o trabalhador merece o
seu salário’”. Paulo cita uma passagem do Antigo Testamento e
outra de Lucas 10, chamando ambas de “A Escritura”, termo
sempre usado para a Palavra de Deus. Paulo, que escreveu pouco
depois de Lucas, já atribuía ao seu texto o status de Sagradas
Escrituras. E Pedro, no capítulo 3 de sua segunda carta, chama de
“escrituras” também as cartas de Paulo.
Crer em Jesus implica crer também
na Bíblia como a Palavra de Deus. Afinal, como você teria conhecido
Jesus se não fosse pela revelação feita aos quatro evangelistas e
confirmada pelas epístolas dos apóstolos? Nos próximos 3 minutos
vamos conhecer Zacarias.
tic-tac-tic-tac...

Lucas 1:1-4

Lucas 1:1-4

Cada evangelho apresenta Jesus em
um diferente caráter. Mateus mostra o Rei prometido a Israel e seu
texto é repleto de expressões do tipo “cumpriu-se o que fora
dito pelo profeta”. Ali a genealogia de Jesus é desde o Rei
Davi. Mateus, um coletor de impostos, conhecia os assuntos do
governo real, enquanto Marcos é visto em Atos atuando como servo
dos apóstolos. Seu evangelho revela o Servo Jesus, portanto não
espere encontrar uma genealogia no currículo de um servo.
No evangelho de João, Jesus é o
Deus eterno, sem começo nem fim, e mesmo assim acessível ao homem.
João é o “discípulo amado”, aquele que se reclinava sobre o
peito de Jesus. Agora temos Lucas, um médico, descrevendo Jesus do
modo como só um médico poderia fazê-lo: como um ser humano. Neste
evangelho a genealogia começa em Adão, o primeiro exemplar de
humanidade.
Rei, Servo, Homem e Deus. É assim
que Jesus é apresentado nos evangelhos. Qualquer coisa menos que
isso não vem de Deus. E por falar em Escrituras, Lucas nos dá uma
boa pista de como elas foram inspiradas. Lucas, ao contrário dos
outros três evangelistas, aparentemente não teve contato direto com
Jesus. Ele não foi um apóstolo, como foram Mateus e João, e mesmo
assim Deus quis usá-lo para apresentar o Filho eterno de Deus.
Os primeiros quatro versículos nos
ajudam a entender que os textos inspirados não foram psicografados
ou escritos sob algum tipo de transe mediúnico. Os escritores não
foram usados como meras carcaças possuídas, mas estavam no total
controle de suas faculdades mentais. Paulo, em sua primeira carta
aos Coríntios, deixa claro que “os espíritos dos profetas estão
sujeitos aos profetas. Pois Deus não é Deus de desordem, mas de
paz” (1 Co 14:32-33).
Aquele que profere algo da parte de
Deus — e este é o sentido de profetizar — não perde o controle de
si, não muda o tom da voz e nem se debate como se fosse um fantoche
de alguma entidade espiritual. Isso você encontra nos rituais
pagãos e demoníacos, não nas coisas de Deus. Portanto esteja ciente
de que nem tudo o que é apresentado hoje como vindo de Deus vem
realmente de Deus. Histeria, fingimento e possessão demoníaca estão
entre as coisas que fazem alguém perder o controle de si querendo
se passar por profeta de Deus.
Devemos ser sábios, prudentes e
diligentes para discernir o que é de Deus e o que não é, e nos
próximos 3 minutos veremos Lucas fazendo assim, enquanto relata a
Teófilo este interessantíssimo relato da vida de Jesus. Mas quem é
Teófilo? Saiba nos próximos 3 minutos.
tic-tac-tic-tac...

sábado, 31 de dezembro de 2016

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